Hannah Arendt

Hannah Arendt, de Margarethe von Trotta [109']. (2002 ) em Inglês com legendas em Português
Um filme. Duas mulheres. Duas mulheres de um mesmo espaço geográfico: Alemanha. Duas mulheres de tempos diferentes. Duas mulheres de duas gerações. Dois aspectos que só por si problematizam questões de género, de poder e de política. Tendo em conta uma questão subjacente, mas premente em todo o filme, que podemos resumir nestas palavras de Heidegger (1954) «(...) ainda não começámos a pensar». É isso mesmo a proposta de von Trotta e de Hannah Arendt, i.e., sim, já começámos a pensar! 
Dois conceitos. Primeiro: a natureza do mal não é radical, é extrema e, segundo, antes de qualquer pertença «local» ou «íntima», o que nos pertence a todos é a nossa humanidade partilhada. Vindo de duas mulheres de tempos diferentes, ainda são dois conceitos dificilmente percebidos num mundo assente num maniqueísmo insistente, persistente, imponente e poderosamente masculino!
A história, antes de ser a vida de Hannah Arendt, como o título do filme sugere, que obviamente não se resume ao momento do julgamento de Eichman em Jerusalém, conta a história de um pensamento de uma mulher amante de, e amada por, Heidegger, companheira e esposa de Günther Stern (aka Günther Anders), amiga de Walter Benjamin, contemporânea de grandes pensadores, e diz-nos: «Sim, já começámos a pensar!», mexendo na dolorosa ferida dos enganos e desilusões perpetuados pelo mundo ocidental.

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